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16/12/2013
Garça 

Claudio Machado: Asas abertas para a liberdade

Assisti pela TV Cultura, no fim da noite de 03.12.2013, o bem divulgado programa Provocações
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       Assisti pela TV Cultura, no fim da noite de 03.12.2013, o bem divulgado programa Provocações, no qual seria entrevistado o poeta Claudio Machado, que trabalha no Sesi de Marília, mora em Garça, e é conhecido no mundo todo pela internet. Para maior surpresa minha o entrevistador Abujamra conversou com dois poetas jovens: em primeiro lugar, com Caco Pontes, representante da poesia (dita por ele) maloqueirista, originária da cidade  grande, e depois com Claudio Machado, representando a nova poesia do Interior paulista. Confesso que esperava mais tempo para cada escritor. Mas a exposição por cerca de quinze minutos numa televisão pública como a Cultura não deixa de ser uma excepcional promoção para um poeta novo.

            Claudio  Machado, a maior descoberta minha na visita feita ao Sesi/Garça tempos atrás para um “Bate papo sobre leitura”, cujos poemas no facebook hoje são leitura obrigatória para mim, falou, durante a rápida entrevista,  do tempo de escola em Assis; da Profª de Educação Física que o incentivou à leitura; de Paulo Freire (aquele da Pedagogia do Oprimido) que lhe fez ver como era a sua escola que o afastava dos livros (a educação “bancária”); da influência sobre ele de outros escritores (de Rimbaud e Bilac a Fernando Pessoa e João Cabral); de sua relação de amor e ódio para com o Brasil; da divulgação de seus versos pela internet e da oficina em DVD com seus poemas na Universidade Federal do Amazonas; de sua opinião de que não se deve liberar a maconha, mas sim a cultura; da descoberta de Machado de Assis, cuja leitura na escola lhe era aborrecida; de seu modo próprio de falar de poesia deixando que os alunos falem de poesia; de sua opinião sobre os próprios poemas já considerados por ele como ruins; de sua definição de vida como um eterno retorno à dúvida.

            Segundo o jornal Comarca de Garça, de 31.10.2013, Claudio Machado é “mais uma grata surpresa para cidade, especialmente para os garcenses que gostam de poesia”! A reportagem do jornal “Poeta garcense é provocado por Antônio Abujamra”, colocando em evidência o nome do poeta desconhecido por mim e de que me atentara quando de minha visita ao Sesi, me obrigou a ir ao facebook, onde finalmente deparei com seus textos. Por que será que o poeta garcense Claudio Machado preferiu ser primeiro conhecido no mundo pelo facebook ao invés de dar os primeiros passos nas páginas do jornal de sua cidade?

            Coisas de nosso tempo! Milagres da informática! Pois não foi esse voo de ousadia, com os textos tão originais de Claudio Machado sendo apreciados por grandes e pequenos leitores no facebook, que o arremessou de repente às alturas de ser entrevistado pelo programa Provocações, da TV Cultura? Responda-me o leitor: qualquer jovem escritor, apreciado pelos amigos no facebook, é chamado logo por Antônio Abujamra? Por certo que não.

            Há em Claudio Machado algo de extraordinário, de incomum, de original que fascina os seus leitores no facebook, especialmente alguns leitores mais conhecidos (artistas famosos, por exemplo, universitários de Letras, gente de Clube de Leitura e outros que acessaram-lhe os textos) dispostos a lhe declamar os versos em outras cidades do País e do mundo, a preparar vídeos com tais declamações, o que não seria nada fácil de se obter não fossem qualidades especiais ou surpreendentes de sua poesia.

            Como num primeiro contato com seus versos me fascinou também a mim esse poeta garcense a usar metáforas inusitadas no facebook. O que mostra que no facebook não há apenas gente imbecil, provocadores emotivos, críticos inúteis dos outros. Ao contrário, por feliz coincidência, descobri, no mesmo facebook, e no mesmo dia 31.10.2013, dois nomes interessantes e enriquecedores, a provocar admiração a quantos o frequentam:   Claudio Machado, poeta garcense, e Antônio Pupo, historiador de Fuscaldo, minha terra natal. Um jovem poeta e um velho historiador. Em ambos espero beber de suas intervenções as águas puras da Arte e da História, sorvendo o ar insubstituível da inteligência, reflexo do Espírito livre de Deus vivendo entre nós.

            Surpreenderam-me na entrevista de Claudio Machado à TV Cultura aquelas palavras de que “já acha poemas seus ruins”. Como assim, pode se perguntar o leitor. Como pode um poeta novo e inovador achar seus próprios poemas ruins, quando outros o descobrem agora e lhe descobrem agora o gênio? Há de ser por estar neste momento o poeta Claudio Machado com as asas abertas para a liberdade. E o gênio, à medida que voa pelas alturas da Arte, acaba por considerar seus textos anteriores sempre ruins.

            Acredito que logo, ao organizar o primeiro livro de poemas, ele será obrigado a escolher os melhores, avaliação nem sempre coincidente com a dos leitores, e teremos em mãos sua primeira antologia com textos selecionados dessa primeira fase de sua vida literária. Talvez Claudio Machado não venha a ser mais conhecido por publicar a sua obra, mas acaba por ficar mais perto de nós, por estar em nossas mãos, por poder ser lido a qualquer momento. O que não acontece no facebook, onde com o passar dos dias os textos vão se escondendo no limbo do esquecimento. Como em geral acontece com os artigos e poemas nos jornais.

Felizmente, pelo que me confidenciou na única troca de ideias mantida sempre no facebook, está ele negociando uma primeira edição de seus versos. Então que continue depois, pela vida afora, a escrever seus textos sempre com mais liberdade, sempre com mais espontaneidade, sempre com mais ousadia, parecendo embora ao autor os textos publicados como ruins. Não importa. Como um foguete livre a avançar pelo espaço vai deixando para trás a fumaça e até partes de si mesmo que até ali o impulsionavam para cima, assim será em sua trajetória poética o garcense Claudio Machado tanto no facebook, quanto nos livros a publicar.

E o episódio de sua participação no programa Provocações da TV Cultura  parecerá talvez, a nós e a ele próprio, um primeiro grande Oh! de reconhecimento de seus leitores, como se todos tivéssemos visto de repente o lançamento desse foguete, marcado para girar por órbitas bem mais distantes da Arte, invisíveis a olho nu, cumprindo apenas a vocação poética que seu gênio lhe assinalar. Tomara que ele seja fiel sempre a essa vocação e nunca venha a desistir dela por qualquer outra coisa do mundo.

Enquanto isso, com respeito, semanalmente visitarei o poeta Claudio Machado no facebook para captar as mensagens que ele nos manda através de seus versos bem diferentes, livres em todo sentido, versos que se distinguem dos outros por sua originalidade.

LETTERIO SANTORO – 09.12.2013

Membro da APEG (Associação de Poetas e Escritores de Garça). Autor, entre outros, do livro de poemas O EU HERÓI, à disposição nas Bibliotecas Municipal e do Centro de Referência da Educação.

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