Fábio Dias
21/07/2021
Garça ACIG 

ACIG: Pix conquistou o pequeno comércio

Aos poucos a fala vem modificando. Se ante a pergunta era “Vai pagar no dinheiro ou no cartão?”, agora o comum é ouvir “Trabalhamos com PIX”, “No PIX é o preço à vista”.

Aos poucos a fala vem modificando. Se ante a pergunta era “Vai pagar no dinheiro ou no cartão?”, agora o comum é ouvir “Trabalhamos com PIX”, “No PIX é o preço à vista”. A nova forma de pagamentos, ou de movimentação financeira, a cada dia ocupa mais espaços e, ao que tudo indica, conquistou de fato o pequeno comércio.

“Tem muitos comerciantes, ou prestadores de serviço que não trabalham com maquininha de cartão. Tem a questão das taxas, entre outras observações, mas o Pix se tornou moeda corrente. Todos parecem estar optando por esta forma de pagamento, que também vem sendo agregada por grandes empresas”, falou o vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Garça – ACIG, Mauro José de Sá.

Segundo ele, o ponto de conquista do Pix está na transferência instantânea e o serviço vem sendo usado pela maioria dos prestadores de serviço.

Nessa linha está a garcense Lúcia Helena da Silva, 27 anos, que encontrou uma nova forma de receber pelos serviços prestados. Profissional da área da beleza, Lúcia coloca que a nova forma de pagamento evita, inclusive, os calotes.

“Muitas vezes tinha-se a desculpa de não ter trazido o cartão, ou então pagar uma conta de 10 reais com uma nota de 200 reais. Geralmente não temos troco e, fica para pagar depois. Com o PIX não tem desculpa”, disse ela.

Mauro lembrou o serviço foi lançado em novembro do ano passado e já superou o boleto bancário, o cheque e as transferências por meio de Doc, Ted e Tec, em número de transações.

Pelos dados do Banco Central (BC), em maio, foram feitas 649,1 milhões de transações ante 342 milhões de boleto bancário, 126 milhões de transferências tradicionais e 18 milhões, de cheques.

Quem mais sofreu com essa expansão do Pix foram as transferências feitas por meio de Doc, Ted e Tec. De novembro do ano passado até maio o número de transações mensais nessas modalidades caiu 41% enquanto o Pix avançou 1.733%, segundo o BC.

Para alguns especialistas, o crescimento acelerado do Pix pode ser uma ameaça tanto para bancos quanto para empresas de cartão e de maquininhas. Em tempos de juros baixos, as instituições financeiras ganham muito com as receitas de serviços, composta por tarifas pagas pelos clientes, entre elas as de Doc e Ted, cuja operações estão em queda.

Conforme explicou o vice-presidente da Acig, hoje as transações de Pix feitas por pessoa física são isentas, mas a pessoa jurídica paga uma taxa - menor do que a das transferências tradicionais.

O diretor de inovação, produtos e serviços bancários da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Leandro Vilain, diz que inicialmente houve uma preocupação de que ocorresse uma migração muito forte de outros meios de pagamento para o Pix. Mas, apesar dos números do BC, ele vê como marginal a queda do volume de transações de Ted (as de Doc já vinham caindo).

Segundo ele, um estudo de 2014 mostrava que 38% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro era de transações em dinheiro. Esse trabalho foi reforçado por outro que mostra que 40% dos gastos das famílias brasileiras são em espécie. "Isso me faz concluir que o Pix ocupou o espaço das transações em espécie, o que é uma boa notícia, pois melhora a arrecadação de impostos e reduz custos para o consumidor."

Segundo os dados do BC, 79% das transações de Pix são feitas entre pessoas físicas. E a maior parte tem idade entre 20 e 29 anos. É o caso da garcense Lúcia que adotou o Pix para diminuir os calotes, já que o celular está sempre nas mãos das clientes. Assim ela faz o serviço e recebe de imediato.

As transações entre pessoas físicas e empresas ainda são baixas, mas tendem a avançar bastante nos próximos meses com a adesão de redes de varejo. 


Cartão de crédito e débito 

Do lançamento do Pix em novembro do ano passado até março, a participação do meio de pagamento instantâneo subiu de 7% para 30%, segundo dados da Federações Brasileira de Bancos (Febraban). Isso considerando apenas as transferências por Doc/Ted e maquininhas de cartões. A fatia desses dois meios de pagamento caiu, respectivamente, de 25% para 19% e de 68% para 51%.

Apesar dos números, o diretor da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviço (Abecs), João Pedro Paro Neto, diz que a indústria de cartões cresce a uma média de 18% ao ano e faz 45 mil transações por minuto. Para ele, o Pix é uma forma de transferência bancária, não um meio de pagamento. "Além disso, nossas soluções são completas, com segurança e vários formatos, com compras à vista, parceladas e, em breve, em forma de crediário."

Para ele, cabe ao cliente escolher a melhor forma de fazer seus pagamentos. As taxas cobradas pelas empresas de meios de pagamento são diferentes, mas, no geral, os valores são maiores quando a opção escolhida é o crédito.

Com relação ao cartão de débito especialistas alertam que o avanço da nova modalidade vai exigir um reposicionamento das empresas de maquininhas, uma vez que o Pix deve ser incrementado daqui para frente com novas funcionalidades, como o Pix agendado, Pix Saque e Pix Troco.

Uma pesquisa da consultoria GMattos com lojas on-line mostra que a aceitação do Pix nas operações pela internet triplicou de janeiro para cá. Além disso, a conversão do Pix é de 90% enquanto numa compra com débito é de apenas 30%. Isto significa que 70% dos consumidores que tentam pagar uma compra on-line com débito não concluem a operação, diz o presidente da GMattos, Gastão Mattos.

De acordo com a pesquisa, para a loja, "se o consumidor tiver Pix e débito, a opção pelo Pix é mais favorável, implicando receitas três vezes superiores dado o ganho na conversão do pagamento".


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